Existe um princípio que se aplica a todas as áreas da sua vida… principalmente à vida a dois.

Aquele que quiser vir após mim, a si mesmo se negue, toma a sua cruz e me segue”. Lucas 9:23-24

Toda vez que tenho a oportunidade de falar sobre o evangelho com alguém, sou sempre impelida a expor e substanciar esta máxima cristã, que assim como vários outros princípios, sustentam o viver e andar com Jesus.

E para uma sentença tão simples e objetiva como a supracitada por Cristo, quaisquer explicações aqui são exageros e absolutamente dispensáveis. Ora, negar a si mesmo é me anular por completo; e tomar a cruz nada mais é do que sofrer a vida inteira indiscriminadamente, certo?

Errado. O princípio da cruz e do negar-se a si mesmo se aplica em todas as áreas da vida daquele já se rendeu ao amor e senhorio de Jesus. Negar-se a si mesmo e tomar a cruz nada tem a ver com se tornar um ser humano miserável e inválido. Tem a ver com o “EU”, nosso pior inimigo, #muito prazer. Cruz é morte… morte do “EU”, todos os dias, a todo momento. Negar a mim mesmo é eu parar de olhar só pra mim, e parar de obedecer subalternamente a minha própria vontade, me curvando diante dos  meus desejos particulares.

Para que eu possa ser chamada de filha de Deus, eu preciso me parecer com Ele. Seu filho veio à terra e além de ter pago a minha dívida, Ele me deixou o modelo e os estatutos pelos quais devo viver para agradá-Lo e ter semelhança com Ele. Entretanto, minha natureza me sabota neste aspecto porque “não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico.” Romanos 7:19

Logo, com a ajuda do Espírito Santo, eu preciso matar aquilo me priva de fazer e ser o que meu Criador espera que eu faça e seja: meu eu, minha carne, minha natureza. Não é penitência… A cruz é necessária. Negar-se a si mesmo é  necessário. Eu preciso de cruz, eu preciso negar-me a mim mesma…

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Quando éramos meninas, nós, que hoje somos mulheres adultas, fomos discretamente doutrinadas a ter grandes expectativas em relação aos homens e ao amor. Quando adolescentes, parece que buscávamos encontrar aquele moço capaz de fazer loucuras por nós, nos surpreender diariamente, e demonstrar em seus gestos não o quão importantes e amadas éramos por ele, mas como estávamos em PRIMEIRO LUGAR em sua vida.

Este comportamento é tão explícito em nossa classe, que já virou a melhor e mais pedida pauta nos shows de standup comedy. Mas quando a gente olha pra nossa casa, pro nosso namoro ou casamento, não tem absolutamente nada de engraçado e produtivo neste comportamento.

Quando levado a níveis extremos, ele chega a ser cruel e degradante. “Mas eu fiz aquela comida tão gostosa e ele nem ME elogiou!  Hoje é sábado e ele nem ME convidou pra fazer nada! Eu cortei o cabelo, ele não ME notou!  Ele nem falou que ME ama. Nem perguntou o que EU quero. Ele nem fez o que EU queria…”  A lista é grande.

Todas nós temos estes momentos de profundo egoísmo e necessidade de reconhecimento pelos nossos feitos. Obviamente que tudo se agrava nos dias da tpm, e naqueles dias em que as circunstâncias já não estão favoráveis… Mas nestas horas, temos que olhar pra nossa cruz e dar um basta neste “eu” que nos leva a pensar que somos boas demais, merecedoras demais, e dignas demais de recebermos todos os nossos desejos e fantasias.

Um bom exercício que tento fazer nestes momentos em que meu “eu” me ataca fortemente, é me lembrar do meu Pai, que mesmo sendo DEUS, digno de todo elogio e de toda glória, se fez na condição de homem, lavou os pés dos discípulos e se colocou à disposição para fazer pelos outros. Daí penso: Eu queria muito receber um elogio a respeito da comida deliciosa que fiz hoje… mas eu já elogiei meu marido hoje? Eu queria muito que ele dissesse que me ama, mas qual foi a última vez que eu disse isso a ele espontaneamente?

Ao invés de pensar em tudo o que desejo receber, quero me esforçar para pensar em tudo o que posso dar! Quando eu pensar que gostaria muito de receber uma surpresa, quero pensar que ele também gostaria de ser surpreendido. Toda vez que eu pensar em mim, e no que eu gostaria, quero me esforçar pra pensar nele e no que ele gostaria.

Nossa escravidão emocional muitas vezes se encontra nisso: em supervalorizar o EU. E é pela graça que só encontramos em Jesus Cristo, que podemos ter acesso a sua cruz e matar este inimigo, para que possamos viver qual seja “a boa, perfeita e agradável” vontade do nosso Deus.

Tudo o que foi dito aqui é a contramão dos discursos que temos ouvido em todos os lugares. Mas eu te desafio a fazer este exercício do negar o “eu”, e viver uma vida leve, plena e feliz.

O “eu” não pode ser o centro das nossas vidas. Só há um digno de se assentar neste trono e reinar sobre nós. Mas o nome dEle vocês já sabem. O nome dEle é Jesus Cristo.

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