PEQUENO MANUAL DE ETIQUETA fora de casa: saindo às compras – de ônibus.rs

INTRODUÇÃO

Não que o transporte público na maioria dos estados brasileiros seja exemplar, convidativo e atraente em sua proposta… mas uma hora, cedo ou tarde, não poderemos fugir desta alternativa que em tese responde e adereça muito bem o problema do trânsito caótico, da degradação do meio-ambiente e, por que não dizer, do endividamento crescente da população que se joga no crédito e não consegue pagar nem as duas primeiras prestações do veículo financiado.

Bom… A verdade é que, infelizmente, mesmo sendo uma ótima e inteligente alternativa, andar de ônibus e metrô na maioria das cidades brasileiras pode acabar se tornando uma aventura muito cansativa, e, em muitos casos, até traumática e chocante, pelos típicos episódios de grosseria e violência que se dão ao longo dos trajetos.

E isto acontece todos os dias com uma grande parcela da população que depende do transporte público não só durante a semana para se deslocar para o trabalho ou escola, mas também aos finais de semana e feriados quando saem para passear com a família ou para fazer quaisquer outros programas específicos.

Por isto, este post/manual é dedicado a todos nós que por necessidade mesmo, ou porque o carro está no conserto, ou porque não queremos gastar com estacionamento (que por sinal está custando um rim, praticamente); acabamos escolhendo o transporte público naqueles dias em que saímos às compras, e  queremos ter uma experiência civilizada e prazerosa mesmo andando de ônibus.

1) PREPARATIVOS

– Sair de ônibus é uma excelente oportunidade para se exercitar! Por isso, não se esqueça: roupa e calçado confortáveis, cabelo preso, uma garrafinha com água, protetor solar e óculos escuros.

– Se o objetivo é comprar roupas, minha sugestão é sair com um vestido solto, pela facilidade de tirar e vestir novamente a cada loja em que paramos para experimentar uma peça.

– Levar uma bolsa ecológica grande e prática para carregar em um só lugar todos os itens comprados, ao invés de ficar carregando aquele monte de “sacolinhas”. Você ganha agilidade ao caminhar e controla melhor o que já foi comprado.

– Levar um mini-roteiro com as principais lojas que você deseja visitar em ordem de distância, e os itens que precisam ser comprados. Isto não só aumenta a produtividade e o aproveitamento do seu tempo, como também evita a perda de foco que acaba levando a gastos compulsivos fora do planejamento.

– Se você for comprar roupa de festa, não se esqueça de levar o par de sapatos a ser usado para medir o comprimento e verificar a necessidade de ajuste. Esta iniciativa te economiza uma ida extra à mesma loja.

– Facilite a vida do cobrador do ônibus e leve moedinhas para facilitar o troco! 😀

2) TOMANDO O ÔNIBUS

– Antes de sair de casa, faça um alongamento básico para encarar a jornada com qualidade. Parece uma bobagem, mas observe que ao final de uma maratona como esta, chegamos em casa sentindo dores musculares semelhantes àquelas dores pós-academia. Ou seja, bater perna um dia inteiro é uma baita rotina de exercícios físicos!

– Programe-se para sair de casa DEPOIS do horário de pico (se for dia útil). Eu, por exemplo, deixo pra sair de casa depois das 9h00, e chego ao destino final no mesmo horário que eu chegaria se tivesse saído às 8h00, devido ao trânsito pesado. Desta forma, você garante que terá lugar pra sentar, diminui o estresse e já começa o dia bem.rss

– Se você deseja ter um dia gostoso fora de casa, comece dando aos outros o que você quer receber. Cumprimente o motorista e o cobrador olhando no rosto de cada um deles. Você está dando algo que não te custa nada, mas que vale muito pra quem recebe.

– Quando for se assentar ao lado de alguém, peça licença e sente com delicadeza sem dar aquele solavanco como se um boi estivesse sentado ao seu lado. Consideração e delicadeza para com qualquer pessoa, mesmo que seja um estranho, nunca são demais.

– Permaneça sentado com as pernas fechadas, para evitar o constrangimento de ficar se roçando em alguém. Assento de ônibus não é o sofá da nossa casa, que a gente senta mega à vontade e de qualquer jeito. Respeite o espaço das outras pessoas…

– Se o passageiro do seu lado deu indícios de que vai descer, seja PROATIVO e levante-se para que a pessoa possa sair do seu assento sem precisar sentar no seu colo praticamente! Mas não se levante com cara feia e má vontade, como se o outro passageiro não tivesse o DIREITO de descer de um ônibus com dignidade.

– Chegando em seu destino, olhe para o motorista (sim, ele fica olhando o desembarque do passageiro pelo retrovisor e pode te ver perfeitamente) e agradeça com um sorriso ou com um aceno. Ele vai ganhar o dia =)

3) CHEGANDO À LOJA

– Se uma vendedora te abordar, mesmo que naquele momento você esteja só dando uma olhada nos expositores, aceite a ajuda, pergunte o nome da moça (ou moço) e descreva objetivamente o que você está procurando.

– Antes de ela mandar descer o estoque inteiro, não se sinta constrangida em revelar o teto do seu orçamento. Eu pessoalmente acho super tranquilo falar com a vendedora: “Olha, estou procurando um vestido de festa longo e meu orçamento é de X reais. Quais as opções que você pode me mostrar nesta faixa de preço?”

– Se a vendedora te mostra um modelo que te desagrada, não seja grosseira e agressiva dizendo que aquela peça é feia ou horrorosa. Atenha-se a dizer que tal peça não faz seu gosto ou estilo… Você dispensa aquela alternativa sem ofender a loja, ou a vendedora ou um cliente que pode estar ali justamente namorando a tal peça “feia” e “horrorosa”.

– O mesmo vale para peças ditas “caras”. Ao invés de dar aquele bafo dentro da loja e dizer “nossa, isso é um assalto??”, ou fazer aquela cara de desprezo insinuando que a tal mercadoria não vale tudo aquilo, atenha-se a dizer que no momento aquela peça extrapola seu orçamento.

– Ao experimentar a peça, saia do provador e mostre à vendedora o resultado final. Mesmo que a opinião mais importante seja a sua, e que a decisão final de comprar ou não também seja exclusivamente sua, não custa nada demonstrar apreço e consideração à vendedora, que está ali te prestando uma ajuda.

– Ainda que você já tenho descrito o que você procura, esteja aberto e receptivo às sugestões da vendedora. Lembre-se que você tirou o dia pra isso e que avaliar uma nova possibilidade não é perda de tempo. Numa dessas, você acaba descobrindo um look super legal e até mesmo mais barato do que você estava disposta a pagar 😉

– Quando estiver pronta para fechar a compra, não custa nada perguntar se aquele preço é cheio ou com desconto, ou se existe alguma peça parecida de uma coleção passada que esteja em promoção… Questione sobre desconto à vista e número de parcelas no cartão, sem contudo ficar implorando por um preço melhor debruçada no balcão, dando o maior show pra todo mundo ver.

– Muitas lojas pedem um e-mail no fechamento da compra para cadastro do cliente no banco de dados. Como na verdade eles vão ficar te enviando notícias e promoções posteriormente, você pode  informar aquele endereço seu do hotmail que já está cheio de vírus e que você já nem abre mais, para evitar que seu e-mail principal se descontrole com tanto spam e lixo eletrônico que você não deseja receber.

– Ao se despedir, agradeça à vendedora de acordo com sua performance. Se o atendimento tiver sido estupendo, agradeça apontando as qualidades deste atendimento “Obrigada pela sua atenção, paciência e assessoria!”. Caso contrário, se tiver sido um daqueles atendimentos em que o vendedor quer se livrar rápido da gente, eu me atenho a um simples “obrigada e até breve”. Meritocracia, meu bem.

4) VOLTANDO PRA CASA

– Se possível, tente tomar o ônibus de volta antes ou depois do horário de pico. A esta altura você já está cansada, carregando sacolas e doida para chegar em casa! Sendo assim, um ônibus mais vazio e um trânsito mais tranquilo ajudam bastante!

– Mesmo que você precise andar alguns metros a mais, caminhe até um ponto onde você sabe que o ônibus passará mais vazio. 

– Ao entrar no ônibus, obedeça à fila sem ficar empurrando todo mundo ou tentando se infiltrar à qualquer custo para ser o primeiro a colocar os pés no degrau do ônibus.

Quanto aos assentos reservados a idosos, deficientes e gestantes, não se assente neles com aquele pensamento de “quando um idoso, deficiente ou grávida entrarem,  daí eu me levanto e cedo o lugar”. Você já viu alguém se assentar na mesa reservada de uma festa, e depois se levantar para o verdadeiro convidado a quem aquele espaço já estava reservado? Este público não precisa passar pelo constrangimento de esperar (um segundo que seja) alguém se levantar do lugar que É expressamente destinado a eles, em primeiro lugar. Se não somos idosos, deficientes ou gestantes, não temos que nos assentar ali e pronto. Sem lacunas da lei. Sem brechinhas. Sem jeitinhos. Sem mais interpretações.

Ao sairmos de casa, precisamos nos preparar física e espiritualmente para dispensarmos nosso melhor às diferentes pessoas com quem nos encontraremos durante todo o trajeto. Às vezes gente esquece que o estranho da rua, do ônibus ou da loja também é um ser humano que merece nossas melhores maneiras, atenção e simpatia.

Não guarde ou restrinja o seu sorriso e a sua educação apenas para os familiares, amigos e íntimos! O estranho não é menos gente ou menos digno só porque não o conhecemos, ou não sabemos o seu nome e seu endereço!

Do portão pra fora, todos nós somos um bando de estranhos que podem conviver muito bem como velhos conhecidos! Pense nisso 😉

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Amiga, fica a dica: Cicatenol também é vitamina B5 e dexpantenol para o seu corpo!

Que o Bepantol entrou em minha vida no ano de 2007, quando tratei minha acne com o Roacutan durante seis meses, isso todo mundo já sabe. Todo mundo já sabe também que ele não sai da minha bolsa, e que esquecê-lo pra trás em qualquer lugar me gera altos níveis de ansiedade, crises de abstinência entre outros sintomas característicos de uma pessoa viciada em dexpantenol nos lábios.

O que poucos sabem é que minha primeira bisnaguinha da pomada de 30g não me custou mais do que R$ 8,00 há cinco anos, e hoje, para comprar o mesmo produto (seja o Bepantol Baby ou o Bepantol Derma), o indivíduo precisa desembolsar uma importância que gira entre R$ 18 e R$ 21,00. Um aumento bruto de cerca de 130%, é isso mesmo meu diretor?

E – considerando que uma das principais vantagens que este produto sempre me ofereceu ao longo dos anos passados, era justamente a relação custo-benefício – infelizmente, passei a reconsiderar o Bepantol em minha vida, como uma forma de protesto e manifestação do meu descontentamento.

É claro que por esta nem o laboratório Bayer esperava: quando uma massa feminina descobre que a pomadinha de passar no bumbum do neném, pode também ser utilizada para fins cosméticos como hidratação dos lábios, pele e cabelos; é lógico que novas estratégias de reposicionamento devem ser adotadas pela marca.

Como nos balcões das farmácias ainda existia um grupo de consumidoras ressabiadas, que, com muita razão, tinham até um certo medo de sair passando um creme indicado para assaduras nos lábios e no cabelo, a Bayer resolveu então desmistificar o produto e lançá-lo em duas linhas distintas que diferenciassem com clareza as funções do milagroso Bepantol.

Permaneceram então a linha Baby, indicada para o tratamento de assaduras, e a linha Derma que poderia ser utilizada tranquilamente pelo público feminino que, como eu, usa a pomada em todas as partes do corpo, menos no bumbum, conforme indicação da bula.rs

Entretanto, o que acaba caindo no esquecimento geral, é que estas duas linhas possuem exatamente a mesma fórmula e princípio ativo: Dexpantenol 5%. A diferença é que a linha Derma foi lançada nas versões líquida e creme, além de comunicar claramente em sua embalagem as inúmeras indicações cosméticas, que antes eram segredinhos de beleza e especulações em torno do Bepantol comum de antigamente.

Ou seja: a tentativa da Bayer não foi criar um outro produto com composição diferente, e sim criar um novo posicionamento para um mesmo produto, que tinha mercados diferentes, com aspirações diferentes.

Por isso, sendo eu uma profissional de COM & MKT, tenho mais é que aplaudir esta iniciativa da Bayer que deu super certo e cumpriu seu objetivo inicial de explorar um posicionamento que já existia nos blogs de beleza e nas conversas de salão, aproveitando comercialmente a oportunidade que se apresentou. (Não posso ser hipócrita e criticar esta ação).

Mas….você deve estar se perguntando onde o Cicatenol entra nesta história? Ele entra com o mesmo 50mg/g de Dexpantenol (vitamina b5), pela metade do preço que você pagaria pelo Bepantol.

Comecei a usá-lo algumas semanas atrás, e embora eu não possa omitir o fato de que ele não é tão cremoso e consistente quanto o Bepantol, confesso que para uma consumidora que restringe o uso do produto aos lábios ressecados, o Cicatenol ocupou, com dignidade, o espaço do Bepantol que existia no meu coração.

Infelizmente, para aquelas consumidoras que gostam de hidratar seus cabelos com a vitamina B5, o Cicatenol ainda não tem disponibilizada a versão líquida… mas quem sabe muito em breve,o laboratório EMS também entra nesta história e lança uma linha completa para concorrer diretamente com o Bepantol, fazendo com que nós, consumidores, tenhamos acesso a preços competitivos. Concorrência gera preços melhores para todos nós!!

Gente, não é paõduragemÉ uma escolha calculada: se eu posso pagar R$ 11,00, porque vou pagar R$ 22,00?

Bom, e se você está buscando uma alternativa para substituir o Bepantol não só por conta do preço, mas talvez porque o produto está difícil de ser encontrado mesmo, fica então a dica do Cicatenol. Se experimentar, me conte o que achou!!

Um beijo a todas vocês e até breve!! =***

E pra você, um feliz dia dos namorados… NOT!! #prontofalei

Dia dos Namorados chegando, e toda e qualquer tentativa de assistir às propagandas da TV – (ou àquelas true-views do Youtube que são exibidas antes dos vídeos) – me faz morrer de overdose por excesso de delírio, besteira e muita, mas muita técnica de construção de discurso.

Diferentemente de alguns países do hemisfério-norte, o dia dos Namorados no Brasil surgiu de uma motivação pura e declaradamente comercial, após uma viagem ao exterior do empresário João Dória, que regressou com uma excelente idéia para aquecer as vendas no mês de Junho, período em que o faturamento do comércio não era tão significativo assim.

Na época, a Confederação do Comércio de São Paulo aderiu à data 12 de Junho, apoiando a campanha encomendada pela então Loja Clipper, que defendia o seguinte slogan: “não é só de beijos que vive o amor”.

A subversão aqui é bastante sútil, e foi exatamente por isso que eu disse no primeiro parágrafo deste post, que tudo relacionado a esta data se resume a muita, mas muita técnica de construção de discurso.

Explico. Em poucas e vulgares palavras, o discurso é tecnicamente construído para mascarar a verdadeira motivação comercial da data. A máscara usada para endossar o ato de consumo aleatório num dia do ano mais aleatório ainda, foi a introdução de um novo valor, ou princípio a respeito do amor.

E sendo o amor um assunto tão delicado e complexo para a maioria da população, quaisquer meios para se verificar ou julgar o fundamento deste novo valor (i.e slogan), encontrariam-se indisponíveis, ou incompatíveis com o nível de intelectualidade das pessoas. (Condições perfeitas para se eliminar qualquer possível resistência ou argumento contrário à campanha.)

Ora, se os casais vivem problemas amorosos o tempo inteiro e não tem a capacidade de compreender a verdade e o conceito por trás do amor, então eu, que sou uma entidade comercial, e que tenho todo o embasamento teórico, prático, expertise e domínio sobre  este assunto, darei a resposta para esta equação tão misteriosa! Eis aí a resposta:  “não é só de beijos que vive o amor”.

Ah, muito bem!! Uma salva de palmas  para a Loja Clipper que nos presenteou com este valor inventado, e que veio em boníssima hora para consertar o estrago do relacionamento da maioria da população brasileira. Isto nos tira um grande peso das costas, porque eu já estava começando a acreditar que o problema do meu relacionamento era eu e o meu jeito de ser. Ufa!!

Se você é homem, então! Tá feito… sua aparente falta de vocação para o amor, ou mesmo impaciência para dar um jeito naquelas coisas que você sabe que não vão bem; agora tem uma solução que caiu de surpresa aí no seu colo! Vale quanto pesa… o investimento deve ser proporcional ao tamanho do estrago que você deseja reparar.

É isso mesmo. Muitas pessoas concentram seus esforços na solução paliativa, no atalho e no caminho mais fácil. E se o remédio para o seu relacionamento volta e meia cai nesta realidade de dar ou exigir alguma recompensa material como demonstração de qualquer sentimento (seja arrependimento, perdão ou o próprio amor), então é hora de quebrar o vaso e parar com essa de remendos a cada 12 de Junho. (Porque em muitos relacionamentos, a demonstração em recompensas materiais é um pacto velado… é aquele recurso que conserta tudo e mantem as coisas fluindo).

Na verdade, o 12 de Junho foi apenas o bode-expiatório deste post. Qualquer que seja a data ou o motivo, liberte seu relacionamento dessa dinâmica “estímulo-resposta”, estando você no papel daquele que está sempre dando a recompensa material, ou no papel de quem está constantemente exigindo-a e recebendo-a.

Porque certamente o amor não é nada disso que as propagandas insistem em pregar.

Juliana Paes circula sem maquiagem no Piauí! Ahn? What? No! #prontofalei

Para qualquer mortal que tenha a curiosidade de ver, não há nada de diferente, novidade ou segredo nos mais variados bancos de imagens da internet que flagram os famosos em suas grosseiras demonstrações de humanidade. (Afinal, o que poderia ser mais grosseiro do que se apresentar publicamente sem as olheiras corrigidas, sem o contorno do rosto marcado, sem o glamour dos cílios volumosos (postiços), sem o batom… )

Porque quando li a manchete e saquei o seu tom, me pareceu verdadeiramente que a Juliana Paes havia cometido uma grave infração, atentado violento ao pudor, como se tivesse saído de casa pelada, insultando a sociedade com sua falta de brio, honra e dignidade.

Nas redes sociais, a imagem de uma mulher comum sorrindo feliz pra foto circula com legendas ásperas e grosseiras, fazendo a alegria da audiência com baixa auto-estima, que se anima ao constatar que alguém lá da TV não é tão bonito (a) quanto parece.

Eu me pergunto: O que tem de tão errado e hediondo numa celebridade sem maquiagem?? Na maioria das vezes, a própria estrela admite ter imperfeições, olheiras, rugas e celulite, mas o clamor e idolatria da massa é muito maior do que a verdade. Não dá pra perceber que são as pessoas que criam e legitimam estas figuras, pra que tenham um modelo físico a seguir e perseguir???

Pelo que tenho observado da reação geral, me parece que existe uma revolta e indignação por ela aparentemente ter “enganado” o público com uma beleza faz de conta, que sai com água e sabão. (ou só com demaquilante, se a maquiagem for a prova d’agua.rs)

Mas aqui, só um lembrete… quem cria essa falsa verdade a respeito das estrelas são as pessoas que assistem às suas novelas, compram seus catálogos photoshopados, prestigiam as Playboys e endossam uma imagem de mentira. É uma mentira consentida: “Você finge que é perfeito, eu finjo que acredito.”

Muitas pessoas se deleitam com estes furos, mas vivem protegendo seus ídolos, se esforçando aqui e ali para se parecerem com eles. Estão nos salões de beleza, clínicas de estética e mesas de cirurgia, pedindo o cabelo da fulana da novela, o bumbum da siclana da Playboy, o nariz de beltrana do catálogo da marca tal.

Que hipocrisia! Até o dia 27  de Março, a atriz Juliana Paes era linda e sexy e toda mulher daria um dente da frente pra se parecer com ela; e agora, porque ela lavou o rosto e tirou a maquiagem, todo mundo vai gongar  e dizer que ela é feia e horrorosa??

Bobo de quem viveu até o dia 27 de Março acreditando que ela dormia e acordava com cara de personagem de novela. #prontofalei

Desabafar de vez em quando faz muito bem! #prontofalei

Eu confesso meninas que tenho tentado acompanhar alguns veículos e canais de comunicação voltados para o universo feminino (que tratem de assuntos como beleza, moda, saúde e etc); com o objetivo primário de me manter informada, e apta a produzir um conteúdo que seja do interesse e da pauta da mulher de hoje.

Mas sinceramente. Tá muito difícil… Não sei se eu é que sou muito quadrada e careta demais, ou se realmente o que tenho visto é uma resiliência generalizada que tem levado as pessoas  (mulheres principalmente) a classificarem certas temáticas como relevantes à sua “existência”, por assim dizer.

Muitos assuntos categorizados como “assuntos de mulher”, podem ser a causa pela qual a mulher se olha no espelho e se odeia tanta. Porque estes canais não só produzem matérias que despertam sensações e desconfortos nas mulheres, como também se encarregam de produzir outras tantas matérias que só alimentam e endossam ainda mais este desconforto que eles mesmos criaram! “Cinco dicas para afinar a cintura!” “Saiba como ter os braços iguais ao da Michelle Obama!”

Por que isto é assunto de mulher?? Fácil: Por que muitas mulheres se ocupam de aprender como ser diferente do que são. Muitas mulheres passam uma VIDA tentando ser o que não são, buscando o corpo que não tem, a personalidade e a natureza que não tem! Por isso eu disse anteriormente que certos assuntos são a causa pela qual a mulher se olha no espelho e se odeia tanto. Porque o senso comum (que hoje em dia se “personifica” na “mídia”) diz que braço bonito é o da Michelle Obama. E quando a mulher chega a esta constatação de que o braço dela não é igual ao da Michelle Obama, ela imediatamente se transforma na audiência perfeita para a próxima matéria “Saiba como ter os braços iguais ao da Michelle Obama!”

Muitos canais voltados pra mulher (salvas raras exceções) tem superlativizado o “ser mulher”. “Não tenha defeitos, seja perfeita, seja linda, enlouqueça o homem na cama, tenha cabelo sem frizz, seja dominadora, dê uma banana para os homens, mostre-se superior ao sexo masculino…” Como se pra tudo já existisse uma receita pronta que se aplica a tudo e a todas as mulheres deste planeta!

Este tipo de conteúdo pode num primeiro momento soar como um aliado para desenvolver sua auto-estima, o amor próprio, o self-confidence…  mas a verdade é que o efeito dele é semelhante a de um ácido corrosivo para as mulheres que já carregam um vazio preexistente: quanto mais elas se alimentam destas promessas, maior vai ficando o diâmetro do buraco. São os paliativos que te conferem sensações fugazes de prazer, sem resultados sustentáveis.

É só lavar o rosto, apagar a luz e fechar as cortinas: a mulher volta a ser ela mesma, quem ela é na vida real. No outro dia,    o desconforto e o vazio ainda estão lá… Ah, mas não tem problema: tá na hora de tomar a dose diária de conteúdos “fantasia” pra o vazio e desconforto sumirem por pelo menos mais 24h.

E desde quando motivar a mulher a ter o que não tem, e ser quem não é, passou a ser chamado de “auto-estima”?? Auto-estima é a valorização de SI. E não a supervalorização dos outros, do que os outros tem e são. E pra eu me sentir bem eu tenho que dominar e subjugar o sexo oposto? Então, auto-estima se define não pela valorização do que eu sou, e sim pela maneira como eu me sinto melhor e maior cada vez que diminuo e ridicularizo o outro? Isso explica então o porquê de a grosseria, hostilidade  e soberba estar crescendo tão assustadoramente em meio ao público feminino.

Temos que desaprender isto, urgente!! Reprogramar a mente e voltarmos à simplicidade, ao amor próprio… este fardo é muito pesado pra ser carregado diariamente!

Sejamos muito perspicazes, porque estes discursos entram em nossas vidas muito discretamente, e quando nos damos conta, estamos vivendo segundo este duro jugo da mídia.

#ficaadica