Etiqueta: visitas e anfitriões! Dilemas e algumas dicas básicas

Eu, graças a Deus e ao meu modesto círculo de convívio social, não tenho rigorosamente nada a reclamar das minhas experiências como anfitriã ou como convidada na casa de quem quer que seja. Toda vez que recebo ou sou recebida por amigos e familiares, tenho sempre aquela sensação prazerosa de que o tempo não passou, e acabo inclusive ficando meio triste e #xatiada quando dá a hora da despedida. 🙂

Entretanto (e infelizmente) calculando pelos e-mails que recebo, parece que muitas pessoas não podem dizer o mesmo de suas experiências. A propósito, já recebi relatos alarmantes de anfitriãs que pouco faltam entrar em pânico quando determinadas visitas chegam em suas casas… para passar alguns dias… que parecem uma eternidade.

Elas contam que são aquelas visitas pesadas, que atrapalham o andamento da casa, dão trabalho, não se dispõem a ajudar em nada e, além de tudo, são muito, mas muito difíceis de agradar. Em muitos casos (o que inclusive torna a situação ainda mais constrangedora e delicada) tratam-se de familiares muito próximos e queridos, que agem de forma descuidada e sem limites por mero excesso de intimidade ou por puro abuso mesmo.

Daí quando leio estes e-mails, fico pensando em como é muito mais fácil ser anfitriã de visitas legais, com papo legal, com atitude legal, com postura legal… tudo legal! E penso também em como o simples ato de ir à casa de alguém, coisa boba e elementar, se torna um problema grave que se não tratado adequadamente, pode chegar a destruir as relações entre as pessoas.

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Por isso hoje, quero usar da liberdade que recebi dessas moças que me escreveram, para trocar uma idéia com vocês a respeito do que pode ser feito em situações delicadas como estas. Não sou a dona da verdade, mas gostaria de dividir alguns pensamentos que tenho sobre o assunto…

Na minha opinião, tudo fica mais claro e até auto-explicativo quando entendemos que *etiqueta* é um conjunto de normas e princípios, que nos dão aquela referência de comportamentos *esperados* de nós nos mais diversos ambientes e situações sociais. Ou seja, etiqueta tem a ver com a expectativa das pessoas de determinado ambiente e situação social, em relação à minha postura e comportamento.

Exemplo: qual é a expectativa de comportamento num restaurante? Que os clientes se sentem à mesa, comam com talheres e paguem a conta antes de irem embora. Qualquer cliente que esteja comendo em pé, usando as mãos ao invés de talheres, e que vá embora sem pagar a conta, está agindo de forma contrária à expectativa.

Logo (pensando de forma simplista) para dominarmos a arte da etiqueta, é importante que conheçamos e nos aprofundemos neste universo das expectativas.

Se vou à casa de alguém seja para uma visita rápida ou para passar alguns dias na companhia do dono da casa, eu preciso então pensar na expectativa que existe ali em relação ao meu comportamento, e à maneira como devo me relacionar neste novo ambiente. Se sou um amigo muito íntimo, quais são as expectativas? Se sou um parente distante, quais são as expectativas? Se sou um familiar de convívio mais próximo, quais são as expectativas?

Coloque-se no seu lugar, e se faça esta pergunta sempre, e você nunca vai errar. E tenha sempre em mente que sendo a casa de quem for, a sua casa fica em outro endereço. E quando você for embora, deixe saudades e um gostinho de “quero mais”. Seja uma visita querida, que retribui o carinho e generosidade de seu anfitrião, servindo de acordo com suas habilidades e com a rotina da casa.

Não seja um hóspede que se comporta como se estivesse num hotel ou pensão. Não seja um peso.

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Quanto ao anfitrião que recebe alguém para uma visita rápida ou que, principalmente, recebe uma ou mais pessoas por períodos mais prolongados, aí vai uma dica: faça tudo pelas suas visitas! Agrade, paparique e mime muito! Mas faça tudo isso respeitando aquele limite em que você começa a deixar de aproveitar a companhia dos seus queridos para dar atenção às obrigações.

O melhor que você pode e deve oferecer às suas visitas é você mesmo e sua companhia! Se suas visitas são pessoas mais íntimas (familiares ou amigos), não há problema algum em “comunicar” as expectativas! Não se sinta constrangido e recrute ajuda quando precisar! Ou, se sua visita se oferecer a ajudar, aceite de bom grado!

Agora, se suas visitas são pessoas com quem você tem pouco convívio ou intimidade, minha sugestão é sempre recrutar uma ouuuuuutra pessoa, que não faça parte das visitas, pra te dar uma mãozinha! Convoque o filho mais velho, o marido/esposa, a irmã, uma amiga mais chegada, a cunhada… Alguém que fará parte da diversão, mas com um papel diferenciado, te auxiliando nas atividades de anfitriã!

Porque se você tem alguém pra te ajudar com as obrigações do dia-a-dia, seja da maneira que for, certamente você passará mais tempo de qualidade com suas visitas!

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É claro que, mesmo observando tudo isso que conversamos até agora, ainda assim existem situações em que todos os recursos se esgotam e não nos resta nada além do bom-senso: aquela última reflexão que a gente costuma fazer pra responder a vários dilemas de etiqueta e também às seguintes perguntas – 1) Vale a pena brigar por causa de uma visita que vai embora daqui a dois dias? 2) Vale a pena brigar por um episódio isolado que talvez nem venha a ocorrer mais? 3) Será que se eu confrontar minha visita eu vou resolver o problema ou criar um outro ainda maior? 

Infelizmente, algumas pessoas não sabem como se comportar por absoluta descortesia ou ignorância mesmo… às vezes nem é maldade. E é você, como anfitrião, que precisa decidir entre confrontar ou seguir amando sua visita com todos os defeitos que ela tem e com toda a raiva que ela te faz passar. (Fiquei com vontade de rir.rssss)

De todos os modos, acho importante dizer que se o anfitrião se sente desrespeitado ou invadido em sua própria casa, ele deve sim confrontar sua visita de modo a evitar que a cena se repita novamente. Nestes casos, sou mais a favor de um “climão” de momento, do que da postura de ficar guardando aquele ressentimento durante todo o período da visita.

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Enfim! Sei que muitas pessoas podem  dizer que “etiqueta” demais mata a espontaneidade da visita e só serve pra carregar a atmosfera com chatices e formalidades…  Mas eu discordo fortemente. Etiqueta, bons modos e maneiras ENFEITAM e aprimoram as relações (que já são naturalmente belas e tem bases profundas na sinceridade e no amor).

Pra mim, de nada vale quem se diz espontãneo, autêntico ou até mesmo irreverente, se o resultado do seu comportamento é aborrecimento, mágoa e tristeza…

Bom! Acho que é isso por hoje! Me contem nos comentários se vocês já passaram por situações parecidas e como procederam! Espero que tenham gostado e um grande beijo!! =***

NOVO VÍDEO: Upgrade de Imagem – Organização pessoal e gestão do tempo!

Sim, você leu certo! É vídeo de Upgrade de Imagem!! / / /

E com um tema que tem tudo a ver com início de ano, com retorno ao trabalho e às aulas: Organização pessoal e gestão do tempo!

A essa altura, vocês já devem saber que eu prefiro os princípios às regras, e que por isso sempre tento transmitir em meus vídeos/textos os fundamentos por trás daquele tema, ao invés de ficar ditando regrinhas que às vezes são bem inaplicáveis e fora da realidade.

E com o vídeo de hoje não foi diferente! Quero dividir com vocês algumas idéias que nos ajudem a pensar a maneira como nos organizamos e gerimos nosso tempo… cada um pode olhar pra si e trazer para sua própria realidade o conteúdo do vídeo. 😉

Espero que sejam úteis as dicas e me contem nos comentários como vocês se organizam no dia-a-dia!

Bjkas!! =**

Mulher mais feia do mundo! #prontofalei

Certa vez, num dia comum de trabalho, escutei sem querer duas pessoas na sala ao lado conversando sobre mim, e se de fato eu merecia o título de “mulher bonita” ao lado das outras tantas “mulheres bonitas” que trabalhavam naquela mesma empresa. A discussão parecia bastante polarizada… Uma das partes defendia meu “título” resolutamente, enquanto a outra se atinha a dizer sem reservas: “acho ela feia!”

Era a primeira vez que ouvia alguém se referir à minha pessoa e imagem usando este adjetivo, e eu simplesmente não conseguia acreditar na dureza dos seus efeitos. Ali mesmo pedi a Deus: “Jesus, me traz à memória quaisquer situações em que eu tenha usado este mesmo adjetivo pra me referir a quem quer que seja … quero pedir perdão por todas elas.”

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Nossas preferências “estéticas” são legítimas, mas não acredito que elas devam ser usadas indiscriminadamente como forma de se marginalizar todo o resto. E o que falaram, a despeito da tristeza que senti no momento, produziu em mim muito mais temor e consciência, do que propriamente uma urgência de realizar uma auto-análise da minha aparência.

Temor porque, através deste episódio, pude me dar conta de que sou responsável pela dor que produzo nos outros  (ainda que não tenha sido minha intenção); e consciência porque, se houve uma discussão polarizada, então obviamente existem no mínimo dois lados, duas verdades e duas maneiras distintas de se olhar pra uma mesma coisa.

Podemos gostar mais do azul do que do amarelo. Menos do verde e mais do rosa… Mas nossas preferências são apenas preferências, e não uma conjunto de verdades absolutas a respeito do universo ao qual elas pertencem. Assim como o doce não pode ser considerado melhor ou pior do que o salgado, uma coisa ou pessoa também não pode ser classificada como mais bonita ou mais feia do que uma outra coisa ou pessoa. Não se trata de uma escala ou graduação, e sim de diferenças.

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O belo não é propriedade de ninguém. Ele é livre, atemporal, transcendental e não se pode limitar às nossas noções/padrões de beleza de uma época, ou ao gosto particular de cada um. O belo não é só aquilo que a gente consegue enxergar segundo nossas crenças e convicções pessoais, porque ele independe dessas coisas.

Acredito que tudo o que é bonito produz sensações, e por isso tende a passar por nossos cinco sentidos (ou seis?). Porque o belo é grande demais pra caber só nos olhos. Tem que sentir, ouvir, degustar … Tem que questionar essa mente viciada que apenas vê de um jeito, não muda o ângulo, não faz curvas, não faz concessões.

Tome como exemplo as palavras de Lizzie Velasquez (vídeo abaixo), **considerada** a mulher mais feia do mundo, e me diga se o belo não é mais do que os olhos conseguem ver. Somente uma pessoa muito bela conseguiria ser doce, centrada e bem humorada diante de uma doença rara, ou diante das milhares de pessoas que escreveram nos comentários do Youtube coisas horrorosas como: “Por que você não coloca uma arma na cabeça e se mata? ou “Queime-a com fogo!”.

A história de vida da Lizzie Velasquez  é inspiradora e só tem a nos acrescentar expandindo nosso olhar e desafiando nossa mente! Espero que fiquem vidradas, como eu fiquei!

Bom vídeo e até breve!! =**

P.S. Para assistir em Português, abra o vídeo no Youtube, vá em “captions”, selecione a legenda automática em Inglês e depois clique em “traduzir legenda” selecionando o idioma Português.

Uma estratégia intrigante para alcançarmos ainda mais vidas!

Quando viajei de avião pela primeira vez, não me lembro exatamente se senti medo, pânico ou ansiedade excessiva. Também não me lembro o nome da companhia aérea, pra onde estava indo, nem o ano em que essa experiência se passou.rsss (#dora #continueanadar)

De todos os modos, consegui salvar uma lembrança bem vívida de quando os atendentes de bordo enunciam (e meio que interpretam!!) aquelas instruções de segurança! Primeiro me lembro que conversei durante as explicações, e aí uma aeromoça olhou pra mim com cara feia e fez um sinal de “cala a boca, por favor”. rssss

E depois me lembro de um trecho das instruções que dizia algo mais ou menos assim:

Em caso de despressurização máscaras individuais de oxigênio cairão automaticamente. Puxe uma delas, coloque sobre o nariz e a boca e respire normalmente. Auxilie crianças ou pessoas com dificuldade somente após ter fixado a sua máscara.

Este trecho me marcou tanto com sua lógica e simplicidade, que até hoje quando viajo de avião acabo ouvindo as instruções de segurança de um jeito diferente e especial…

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Já até li alguns outros textos e meditações que também foram escritos a partir desta mesma “metáfora” das máscaras de oxigênio, e achei bastante curiosa a maneira como a maioria deles toma esta instrução como um ato insolente de egoísmo(Ainda que no desenrolar dos argumentos, todos eles eventualmente concordem que é a coisa mais certa a se fazer.)

No meu caso em particular, esta instrução confrontou minha ignorância tão fortemente, que nem tive muito prazo pra fazer julgamentos e classificá-la como egoísta ou não, ou como qualquer outra coisa. Digo ignorância, porque pela falta de conhecimento, fiz festa com um enunciado óbvio que já deve vir de muitos anos da prática de aviação e que não é nenhuma novidade no mundo.

É possível sim que muitas pessoas construam discursos e posturas egoístas a partir desta metáfora, dizendo – “com licença, primeiro eu!” – com base na lógica pura e simples que o enunciado de segurança oferece. Podem inclusive tomar essa verdade como estilo de vida, propagando aos quatro cantos do mundo que se cansaram de fazer pelos outros, e que agora querem mais é cuidar de si próprios e serem felizes. 

Podem tudo isso e mais um pouco, enquanto seguem se esquecendo que a lógica do enunciado é mais do que uma desculpa para viverem uma vida centrada em si próprios. O enunciado é lógico não só por que nos ensina a sobrevivência, mas também porque nos ensina a maneira certa de ajudarmos os outros.

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Egoísmo é quando fazemos por nós em primeiro lugar em detrimento dos outros. E o enunciado não nos ensina esta postura. Ele não diz: “coloque sua própria máscara e se esqueça do resto”. Ele diz: Coloque a sua primeiro, pra que assim você possa ajudar quem estiver do seu lado.

Faça por você, mas faça pelo outro também!! Garanta a sua vida, porque ela certamente será a garantia de vida de muitas outras pessoas!

Me entendam bem: não estou repetindo aqui aquele mesmo sermão do “se você não gostar de si mesmo, quem vai gostar? etc, etc, etc, etc”. Estou falando de uma estratégia lógica para alcançar e impactar um número maior de vidas!

Um pai que se mata de trabalhar, se alimenta mal, não se exercita, não vai ao médico e não tem um sono de qualidade, FATALMENTE exibe menos energia, menos atenção e e menos capacidade de influenciar e impactar a vida de sua família.

Mas se ele tira uma hora de seu dia para dedicar a si mesmo e fornecer ao seu corpo/mente/espírito o cuidado necessário, ele FATALMENTE terá mais energia, mais atenção e ainda mais capacidade de influenciar não só a vida de sua família, mas a vida de todo mundo que o cerca. É estratégia para alcançar mais vidas, e não um ato de egoísmo! 

Isso vale para as mães, para os filhos, para os empresários, para os professores, para os pastores, para as esposas… pra todo mundo que deseje ser luz e bênção na vida dos outros…

As famílias, empresas, escolas e igrejas não precisam de heróis, nem de gente que faz mágica! Precisam de pessoas com saúde e energia pra trabalharem no plano de Deus, cada um segundo seu chamado e competência! Se a gente se dispuser a fazer a parte que nos compete, Deus certamente nos dará o ânimo e refrigério que eventualmente venham a faltar… Ele é fiel.

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Pense no “tanto mais” que você poderia fazer por todo mundo, e no “tanto mais” que você poderia dar aos outros, e no “tanto mais” que você poderia servir ao próximo, se adotasse esta estratégia!

A motivação por trás do “dar a si mesmo primeiro” não é fazer mais para si do que para os outros! É dar para si JUSTAMENTE E EXCLUSIVAMENTE pensando em poder dar AINDA MAIS para os outros!

Sei que esta estratégia gera um pouco de insegurança e apreensão, principalmente naquelas pessoas que já há muitos anos vivem sem tempo para si mesmas. Mas até Jesus, com toda sua agenda apertada, tinha seus momentos de se retirar e orar em particular… de se nutrir primeiro pra que pudesse ser alimento para os outros.

Devemos aprender com Seu exemplo e fazer o mesmo!

Vamos aproveitar o final de semana para aplicarmos um pouco desta estratégia! E obrigada por terem me lido até aqui!

Bjkas e até breve! =**

Relacionamentos amorosos tem importância?

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Dos pedidos e sugestões que sempre recebo para tratar em post ou em vídeo aqui no blog, o assunto “relacionamentos” é com certeza o mais recorrente. E curioso. E simpático.

Parece que este aspecto da vida (da mulher principalmente), exerce uma importância tão grande e taxativa sobre sua capacidade particular de ser e se sentir feliz, que os outros aspectos passam a inevitavelmente se posicionarem de maneira bastante secundária e com valor reduzido. O que inclusive não é exatamente errado ou ruim, já que os relacionamentos devem sim ocupar as primeiras e mais honrosas posições no ranking de nossas prioridades.

Talvez o desajuste nesta organização de prioridades esteja não em dar a devida importância aos relacionamentos (porque isso é legítimo e todo mundo concorda), mas sim em não saber e não tratar daquilo que realmente seja importante nos relacionamentos.  Ou seja, dar importância aos relacionamentos não é tudo, não basta.

Para exemplificar, me vem à memória um filme que assisti este final de semana baseado em fatos reais, (The Iceman – 2012), que conta a história de Richard Kuklinski, um homem que durante anos mente para a esposa e filhas dizendo que trabalhava no mercado financeiro, até o dia em que finalmente é preso, em 1986, e todos descobrem sua verdadeira  atividade profissional: assassino de aluguel.

O filme retrata um homem extremamente frio e indiferente às vítimas de quem lhes tirava a vida. Inclusive, há relatos de que vários de seus assassinatos foram praticados com requintes de crueldade física e psicológica.

Entretanto, e muito curiosamente, este mesmo homem gélido e truculento se mostra ser um verdadeiro adorador e devoto de sua família, em especial de sua esposa Debora. As cenas exibem um marido carinhoso, que cobre a esposa e as filhas de presentes caros e que não tolera qualquer maldade ou intenção de ofensa contra elas.

A importância que ele atribuía à sua família era gigante, e ninguém vai dizer o contrário. Contudo, ele não soube, ou simplesmente sabia mas negligenciou, aquilo que tinha importância  na relação com sua família: o respeito, a lealdade, a honra e a verdade. Por consequência disso, uma esposa ficou sem marido, ultrajada e humilhada pela ocasião de sua prisão em 1986, e, o mais triste, duas filhas ficaram sem pai.

E é exatamente isto que tem acontecido nas relações amorosas de hoje, salvaguardando as devidas proporções, é claro.

Pessoas que insistem na importância que dão aos seus relacionamentos, mas que não se esforçam (por preguiça ou por falta de consideração pelo outro), para tratar e aplicar as coisas que são importantes nestes relacionamentos. Inclusive, quando paro pra pensar, chego à conclusão de que essa importância é, na realidade, uma necessidade social e de status que se disfarça de importância quando convém. É uma necessidade escondida que se apresenta ao mundo com cara de importância.

Certa vez, e isso já faz muitos anos, me encontrei com uma amiga que não via há algum tempo, e ela me atualizou dizendo que tinha se separado do marido por um milhão de motivos. Mas que gostaria de reatar “porque ficar sozinha tá por fora.” (coloquei entre aspas porque são palavras da própria!)

Vejam bem: parece que a importância que damos aos relacionamentos não está associada ao valor intrínseco e verdadeiro que os relacionamentos tem em si. A importância que damos aos relacionamentos está associada à maneira como usamos estes relacionamentos para resolver nossos problemas de status, insegurança e auto-estima.

É como ter em casa uma obra de arte linda e rara, e pregá-la na parede com o propósito de disfarçar ou esconder um defeito na pintura, ou uma infiltração. A obra de arte tem seu valor próprio por ser quem ela é e pronto. Mas quando eu faço uso dela com a finalidade errada, eu a desmereço e reduzo seu valor a nada.

Um relacionamento é algo fino, raro e precioso que deve receber o tratamento do qual é digno de receber. E em muitos casos ele é tratado meramente como o quadro raro pregado na parede para esconder uma infiltração.

Não tenho a receita para o “sucesso” num relacionamento amoroso, como às vezes sinto que seja a expectativa de algumas pessoas. E mesmo se eu tivesse, não acho que esta seja a melhor maneira de ajudar… Minha ajuda é esta que vocês já conhecem: propor os pilares e fundamentos para  uma reflexão sincera, e, a partir dela, a gente aprende a pensar a própria vida e começa então a corrigir os desvios.

Seja lá como for, e respondendo à pergunta do título do post, relacionamentos tem sim muita importância! Não as partes A e B que formam o casal isoladamente, mas o relacionamento em si é um verdadeiro presente pra quem sabe aplicar as coisas que são importantes para seu aprimoramento constante 🙂

Por isso, cuide do seu. Aprecie. Valorize.

Conversa aleatória, mais uma semana!

Ei, pessoal! Espero que estejam bem e cheios de disposição pra começarem esta semana 🙂

Não sei vocês, mas eu tenho observado (até com um certo temor) que o tempo tem passado muito mais rápido do que usualmente… Acho que é a síndrome do “estou-chegando-nos-30”, somado a um grande desejo de que Jesus retorne logo.

Na semana passada, tive jornadas intensas de trabalho de 12/13 horas por dia, sentada em frente o computador até o bumbum ficar quadrado e com câimbra! Treinei todos os dias, diligentemente, e ainda incluí um treino light de cardio e alongamentos no domingo, pra contrabalancear as longas e ininterruptas horas que passo sentada e imóvel, exercitando somente os dedos no teclado e a massa cinzenta.

Há pouco tempo, quando passava praticamente o dia todo trabalhando sem muitas pausas, eu entendia que meu dia já havia me rendido o suficiente, e que tudo o que eu precisava era tomar um banho e pular na cama. Tinha aquela sensação de “eu-já-dei-tudo-de-mim”, e me via no direito legítimo de ser perdoada por não ter tido comunhão com Deus naquele dia, lido um livro, dado atenção e carinho para meu marido, ou feito uma rotina de treino, fosse ela curtinha, de 12 minutos apenas!

Quem cuida do espírito, das relações, do intelecto e do corpo, vive melhor e mais feliz.

Este cuidado se traduz em investimentos reais de tempo e energia, em áreas basilares, não em coisas periféricas que não impactam a qualidade de vida, e só geram desperdício. [Investir no que é importante, essa é a chave.]

Não é o tempo que tem passado mais rápido. É o nosso jeito de investí-lo que nos dá esta sensação de dias abreviados… O dia continua com suas 24 horas de sempre, nem mais nem menos… mas por não sabermos definir com firmeza as prioridades de nossas vidas, a percepção que fica é que realmente não nos sobra tempo ou energia para termos comunhão com Deus, ou pra ler um livro, dar atenção e carinho para o marido, ou fazer uma rotina de treino, seja ela curtinha, de 12 minutos apenas!

Todo mundo quer o retorno, mas poucas pessoas querem investir. Ou quando investem, demandam resultados imediatos.

O desafio é estabelecer nossas prioridades e investir nelas com o melhor do nosso tempo e energia. As outras coisas podem ficar pra depois, porque não acrescentam e tomam o lugar de outras coisas mais importantes.

Sei que ninguém é perfeito, e Deus sabe disso melhor do que toda a humanidade junta. Mas eu tenho certeza que Ele dá muita graça pra quem busca com sinceridade um caminho reto e produtivo em Seu Reino… Se colocamos nosso coração nas coisas que agradam a Deus, Ele nos apóia com estratégias e manobras, com ânimo e disposição.

Vamos tentar este desafio? A semana começou agora, e sempre dá tempo de rever uma postura aqui, outra ali 🙂

Aos poucos, mas com firmeza, a gente chega lá!! Um grande beijo e até breve! =**

NOVO VÍDEO: Upgrade de Imagem – Dinheiro [versus] Padrão de Vida

Ei, gente!!

Nem acredito que estou conseguindo postar um vídeo de Upgrade de Imagem que vocês tanto gostam!! Vários outros temas estavam em pauta, mas quis agradar vocês com um bate-papo que eu espero que contribua, de alguma forma, para a vida de quem assistir 🙂

Na próxima semana, estarei fora visitando minha irmã e meu afilhadinho gostoso, e por isso vou soltar dois vídeos de uma vez (o de hoje, e um amanhã sobre Fitness!), além de um post de meditação bíblica no sábado… Dessa forma, acredito que vocês terão um bom material para degustarem até o meu retorno, na semana do dia 9, né???

Nunca é demais reforçar que os vídeos de bate-papo expressam apenas minha opinião a respeito de determinado tema, e não é minha intenção querer impor meu ponto de vista a ninguém, ou ofender quem por ventura “viva” diferente da maneira como eu “vivo” a minha vida.

No mais, espero que seja uma conversa produtiva 😉

Um grande beijo e até amanhã com mais vídeo!!! ***

O tempo precisa passar pra você…

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Em novembro deste ano, mais precisamente no dia 22, meu marido e eu completaremos cinco anos de casados! “Não foram cinco horas, nem cinco dias, nem cinco meses!” (escrevi entre aspas porque tomei estas palavras emprestadas da minha avó!!)

Foram cinco anos, e cinco anos é muito tempo. Muito tempo pra quem cursa uma graduação de Direito, por exemplo, ou pra quem aguarda o desfecho de um caso complicado que se arrasta nas instâncias da justiça, ou, mais duro ainda, pra quem espera com dor e sofrimento por um procedimento cirúrgico na fila do SUS.

Mas pra mim, e eu sei que o que vou dizer é bem previsível e clichê, cinco anos passaram voando!  

Prova disso são os eletrodomésticos da casa que começaram a estragar todos de uma só vez e ao mesmo tempo (#obsolescênciaprogramada), realçando a maior e mais implacável consequência da ação do tempo sobre as coisas: a deterioração.

Às vezes a gente só percebe que o tempo passou através da observação de uma evidência física de que ele passou, e não exatamente através da sensação de sentir o tempo passar.

E a deterioração, sendo uma dessas evidências físicas que nos permite constatar a ação do tempo, pode estar manifesta nas coisas – que por definição tem dia e hora pra acabarem – ou, mais distintamente, nas pessoas e nas relações estabelecidas entre elas.

A diferença, entretanto, é que sobre as coisas, o tempo pode ser pouco manobrado. Ora, é basicamente improvável que alguém possa impedir ou interferir de alguma forma na degradação espontânea de qualquer tipo de matéria.

Já sobre as pessoas e sobre as relações humanas, ou seja, sobre tudo o que tem o sopro de Deus, o tempo pode ser subjugado de uma maneira tão formidável, que a evidência de sua ação deixa de ser a deterioração, e passa a ser o contentamento.

Quando uma pessoa finalmente se contenta com sua vida de uma maneira geral, é sinal de que, pra ela, o tempo passou. E veja bem: “se contentar” não é o mesmo que se acomodar ou se entregar à mercê da sorte como muitos pensam ser. (e por isso acabam empregando a palavra de um jeito completamente equivocado.)

Contentar-se com a vida é estar contente com a vida. Contentamento tem a ver com prazer e satisfação. Tem a ver com estar satisfeito com o que se é, e com o que se tem ali naquele momento, independente de como foi no passado, ou de como desconfiamos que vá ser no futuro.

E justo quando atingimos este estado de espírito e mente, conseguimos então encontrar a motivação – e  não a ansiedade – para melhorarmos naquilo que precisamos, e também para celebrarmos a vida e as relações que ela estabelece.

Inclusive, pra nós mulheres, o contentamento é o ponto de equilíbrio perfeito pra que possamos celebrar tudo aquilo que, por influência e consumo de uma mídia destrutiva, não conseguimos celebrar: nossa imagem e nossas relações afetivas.

Porque parece que existe uma força conspiratória que rouba nossa capacidade de enxergar o que a gente e os outros tem de bom, sabe? A gente só quer saber de gongar o namorado, o marido, as amigas, o chefe, os colegas de trabalho… e, claro, nós mesmas.

Uai, quem não sabe apreciar os outros, dificilmente consegue apreciar a si mesmo, ou vice-versa.

Sei lá… meu receio é que pra muita gente e pra muitas relações, o tempo pode estar passando e deixando como evidência de sua ação a deterioração e não o contentamento.

E estar contente é tão melhor do que estar deteriorado… Exaltar é tão melhor do que desmerecer. Ter prazer e satisfação é tão melhor do que só reclamar dos outros e da vida…

É tão melhor que até vale a pena se esforçar um pouquinho mais do que a média, pra que em troca do nosso esforço, talvez o tempo se agrade de ser um tanto mais gentil e benevolente para com nossas vidas… Preservando assim nossa beleza, juventude, energia e disposição, que além de muito essenciais, são os elementos que nos mantem produtivos e não nos deixam morrer.

Deixe o tempo passar, mas escolha você a evidência de sua ação.

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Guest Post que escrevi a convite da Badulakit, no blog da marca http://badulakit.wordpress.com/ em 28 de Maio 🙂

Alguns princípios básicos para resolver os conflitos das relações

Antes de virarem manchetes de jornais, acredito que muitos casos de violência começam como pequenos conflitos triviais: um troco errado que em poucos minutos evolui para um homicídio, uma fechada no trânsito que termina em espancamento, ou, quem sabe, duas colegas de classe que nunca se falaram, mas que por causa do afeto por um mesmo rapaz, viram notícia do Cidade Alerta depois de se enfrentarem na saída do colégio.

Não importa a idade, o cenário e muito menos ainda o motivo.

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Os conflitos se instalam, sobretudo pela convicção que todas as partes envolvidas carregam, de que seus direitos e interesses estão sob fatal ameaça… Importa o que eu quero, o que eu preciso e o que eu penso… porque se nada disso importasse, certamente não existiriam conflitos em nenhuma parte do mundo, certo?

Ora, se eu renuncio o que eu quero, o que eu preciso e o que eu penso; minha necessidade de prevalecer sobre os outros se desvanece, e antes mesmo que eu me indisponha com quem quer que seja, já estou convencido e inclinado a ceder.

E este, pra mim, é o primeiro princípio para se resolver um conflito: evitá-lo. [sempre que possível, porque alguns conflitos precisam ser vividos, porém de maneira supervisionada e consciente.]

A tática do *alguém tem que ceder* pode ser aplicada antes mesmo que o conflito se instale! Interprete os indícios com antecedência, e mude o curso da história enquanto há tempo: abaixe o tom de voz, sugira outro assunto, ou melhor ainda, ouça e tente compreender o interesse da outra (s) parte (s).

Antes mesmo de você pensar em si próprio e considerar suas próprias razões, é sempre bom (além de muito educado e cortês!!) ouvir com atenção e tolerância os interesses dos outros, em primeiro lugar, mesmo que estes *outros* não mereçam ou não venham a usar da mesma gentileza para com você posteriormente.

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Acredito que em todas as culturas – das mais primitivas às mais desenvolvidas – o ato de ouvir é sempre considerado mais sábio do que o ato de falar. E este é o segundo princípio a ser aplicado quando estamos diante de um conflito iminente ou já instalado: ouvir em silêncio.

Porque ao ouvir em silêncio, você não somente conquista o respeito dos outros, como também “se compra” um pouco de tempo para fazer uma ampla e estratégica leitura da situação. E é a partir desta leitura que você – e não o outro que está falando desenfreadamente motivado pelo desejo de prevalecer –  passa a assumir o controle do conflito.

É você quem irá determinar se o conflito pára ou continua. Se for parar por ali mesmo, não precisa de muita técnica… Mas se for continuar, é importante aplicar aqui o terceiro princípio: siga o conflito de maneira organizada e consciente.

Na minha opinião, a gente deve saber escolher nossas brigas. Alguns conflitos existem apenas para expor o lado negro das pessoas e destruir as relações pessoais. Outros, entretanto, podem produzir grande crescimento para todas as partes envolvidas, fortalecendo ainda mais os laços de amizade, comunhão e afeto. Naturalmente, estes são os conflitos que valem a pena. 🙂

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EM PRIMEIRO LUGAR, não importa quão certo e cheio de razão você acredite estar – jamais se sinta no lugar ou no direito de impor a sua verdade. Do contrário, o conflito deixa de ser produtivo e passa a ser um mero bate-boca que com certeza não vai chegar a lugar algum.

EM SEGUNDO LUGAR, não ridicularize ou menospreze a opinião ou postura dos outros. Encare o discurso das outras pessoas como uma oportunidade de conhecer e aprender um pouco mais sobre a mente humana… Lembre-se que ninguém ali te elegeu o mestre, ou o professor ou o dono-da-razão, pra que você se ache numa posição privilegiada de julgar e criticar os outros.

EM TERCEIRO LUGAR, quando a palavra estiver com você, tente fazer uma breve análise da postura e opinião de quem acabou de falar, destacando seus pontos positivos e negativos. Nunca destaque somente os pontos negativos pra que seu discurso não seja invalidado, por ser um discurso parcial e tendencioso. Mesmo que você esteja declaradamente fazendo oposição àquela pessoa, ainda assim existe muito espaço para ser verdadeiro e tolerante…

Exemplo: “Olha, fulano, vejo que sua preocupação com a situação tal é muito sincera e verdadeira, e eu admiro isso. Mas infelizmente, eu tenho uma postura diferente que eu gostaria que você ouvisse e considerasse, se possível.”

EM QUARTO LUGAR, ninguém poderá sair deste conflito desmoralizado ou ferido. Normalmente, como a maioria dos conflitos que vivemos envolvem amigos, colegas de trabalho, vizinhos e familiares, não podemos jamais conduzir um conflito pelo caminho da raiva e descontrole. Tratam-se de pessoas que amamos, com quem convivemos de perto e a quem não podemos desejar ou infligir mal algum!

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Porque inevitavelmente, a convivência levanta questões que podem em algum momento terminar em brigas e discussões… é natural e até esperado. Mas eu penso que uma relação não pode sucumbir a isso! E o caminho é sempre treinar a maneira como vamos conduzir o conflito pra que ele tome a direção dos bons frutos, e não a direção do ódio ou retaliação.

O final feliz e perfeito de um conflito não é ver que todos de repente passaram a ter a mesmíssima postura e opinião. É ver que ninguém virou a cara pra ninguém, mesmo depois de tantas diferenças expostas! Vão-se os conflitos, e ficam as pessoas, o carinho das relações, e sobretudo a consideração!

Pode até ser que algum dia, os personagens de um conflito cheguem a uma mesma conclusão e pensamento! E este será um grande dia para se comemorar e festejar! Mas enquanto este dia não chega, vamos parar com isso de ficar colocando o dedo na ferida sem necessidade, jogando indiretas e provocações que só geram ainda mais repulsa e oposição!

Porque às vezes os resultados demoram mais do que a gente está disposto a esperar, mas uma coisa é certa: a oração, o amor, e o testemunho de Jesus, vencem tudo 🙂

Na prática, devo falar tudo o que penso? Uma visão diferente a respeito da sinceridade.

Em julho do ano passado, quando minha irmã estava no auge dos preparativos para seu casamento, lembro-me bem do dia em que saímos batendo perna pela cidade a fora, resolvendo aquela típica agenda de noiva, que basicamente se resume a: vestido, decoração, lembrancinhas, vestido, vestido e vestido 😀

Daí quando justo paramos pra ela fazer a última e tão aguardada prova do vestido, logo que coloquei os pés na loja, notei a presença de uma cliente muito jovem e bonita, (aparentemente acompanhada da mãe e da irmã), que parecia estar em sua primeira pesquisa da rota infinita de modelos, acessórios, preços, etc…

Enquanto minha irmã se trocava, fiquei observando as opções de vestidos que a vendedora pacientemente trazia pra moça, e não pude deixar de notar que nenhuma delas lhe caía bem… sei lá! Sabe quando a pessoa veste uma roupa e você olha e a primeira coisa que te vem à cabeça é: pode tirar que não tá bom, MESMO!

Então, tipo isso…

Só que a singeleza da moça era tanta e tamanha, que tudo o que ela vestia fazia seus olhinhos brilharem ali na frente daquele espelho, como quem já estivesse 100% satisfeita só por estar se casando com um vestido branco de noiva! Dava pra ver isso nela, e isso me comoveu muito…

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Me comoveu tanto que, na minha cabeça, eu imediatamente comecei a confabular uma maneira adequada e gentil de dizer a ela que aqueles modelos não estavam à altura de sua beleza e perfil. Na verdade, meu desejo não era exatamente falar com ela (até por que não queria me passar por intrometida e sem noção). Meu real desejo era fazê-la saber que suas possibilidades eram muito maiores do que as que lhe tinham sido apresentadas até aquele momento.

Foi quando eu entendi que não era meu lugar ou direito (mesmo que minhas intenções fossem as melhores do mundo) abrir minha boca se não fosse pra elogiar. E fiquei esperando que ela vestisse um modelo bem lindo, pra que talvez através do meu elogio pontual, ela pudesse entender (de maneira subliminar??) que os modelos anteriores não eram tão bonitos como a vendedora, a mãe e a irmã diziam o tempo todo que eram.

E o que aconteceu foi exatamente isso: num determinado momento, ela experimentou um vestido m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o, (que por falta de conhecimento técnico eu infelizmente não vou saber descrever), com um corte e caimento tão perfeitos que ela mais parecia uma princesa da Walt Disney! 

Ela ficou simplesmente sublime no vestido, e naquele momento eu me senti muito confortável pra dizer: “Moça, você está parecendo uma princesa da Walt Disney! Este vestido ficou perfeito em você!! Parabéns!!”

A sensação de vitória e alívio foi grande, sobretudo porque em poucos minutos de dilema ético, eu finalmente consegui encontrar um caminho alternativo pra expressar minha sinceridade através de um elogio, e não de uma crítica.

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E eu sei que provavelmente vocês devem achar que hoje, passados quase oito meses, eu me encontre aqui, contando essa história como quem conta bons feitos, cheia de orgulho e realização pessoal por ter triunfado com minha sinceridade. Quando na verdade, eu sei que faria tudo bem diferente se fosse o caso de voltar nesta situação outra vez.

Porque por trás da sinceridade podem existir muitas motivações. No meu caso e em diversos outros, a motivação que sempre leva à postura e ao discurso sincero, é aquela clássica pretensão de achar que sabemos o que é melhor para os outros.

Não que eu considere errado a gente saber ou querer o que é melhor para os outros. Inclusive, pode até ser que em situações pontuais, um ato de sinceridade da nossa parte venha a genuinamente salvar uma alma, confortar um coração aflito e até mesmo dar um choque de realidade em quem padece pelas muitas máscaras e mentiras.

Mas, em contrapartida, quando o mundo inteiro se convence do potencial positivo da sinceridade;  o que antes era uma manobra voltada para o bem maior que é a vida e o ser humano, de repente vira uma prerrogativa para que crianças, adolescentes, jovens e idosos saiam por aí proferindo o que gostam de chamar de “opinião” ou “atitude”, mas que no fundo são impressões distorcidas pela realidade em que vivem.

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E eu digo prerrogativa, porque por trás dessa “pseudo” postura sincera, existe um ser humano comprometido exclusivamente com seu desejo de abrir a boca e transbordar sua frustração com alguma coisa da vida, sem nenhum compromissozinho com o objeto da sua sinceridade, com a outra vida, com o outro ser humano.

Por isso eu sempre falo que a sinceridade é como uma arma de fogo: se cair nas mãos erradas, dá até morte. Assim como a arma de fogo, a sinceridade é  pra quem sabe usar, e pra quem está disposto a responder  pelos efeitos que ela pode causar. Não é pra criança, não é brinquedo, e não pode ser usada deliberadamente.

Sobretudo por que, mais uma vez comparando com a arma de fogo, muitas pessoas usam a sinceridade como um meio de confronto e humilhação.

E, honestamente, este  tipo de sinceridade que é inclusive o hit do momento nas redes sociais, eu vivo a ignorar e fingir que não existe. Algumas pessoas chegam a me testar, pedindo opiniões, exigindo que eu me posicione e me pronuncie sobre determinados temas…

Mas, gente: opiniões e posicionamentos que não edificam o mundo e as pessoas,  são apenas opiniões e posicionamentos. De que vale isso???

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Deus sabe a dureza de várias opiniões que eu tenho e que guardo só pra mim, pra que pela misericórdia dEle, eu venha a ter oportunidade de mudá-las enquanto ainda habitam somente o plano das idéias. Porque “a palavra lançada não volta mais”.

Muitas pessoas se agarram à “sinceridade”  por medo de parecerem mentirosas ou hipócritas diante de outras pessoas, situações e acontecimentos… Mas eu penso que quando deixamos de falar o que realmente pensamos, não estamos omitindo uma verdade simplesmente por omitir. Estamos fazendo a escolha consciente de talvez  amadurecer  aquela idéia um pouco mais e, quem sabe, até mudá-la ou formulá-la melhor antes de emití-la.

Na verdade, a história da moça e do vestido de noiva serviu apenas como um pano de fundo pra examinarmos melhor nossas motivações…

Sei que o mundo já está cheio de hipócritas e mentirosos, mas não acho que este mau uso da sinceridade vá salvar as pessoas e restaurar as relações. Não sou dona da verdade, mas quis compartilhar este olhar diferente…