VALORES E PRINCÍPIOS: Na prática, como devo lidar com o dinheiro e evitar o consumismo?

Existem três habilidades fundamentais que, na minha opinião, todos nós deveríamos sair da escola dominando: alimentação e fitness, primeiros socorros e educação financeira.

Observem que a precária instrução nestas áreas (somada à negligência e desleixo naturais de cada um), nos leva a experimentar situações extremas e em alguns casos traumáticas, que poderiam ser evitadas com um pouco de conhecimento, intervenção e atitude.

Lidar com o corpo, com situações de emergência e, principalmente com o dinheiro, tem feito parte das nossas vidas cada vez mais precocemente, demandando dos jovens e adolescentes a capacidade de tomar decisões sérias e importantes, com sabedoria, rapidez e, o mais crítico – postura.

Porque a nossa relação com o dinheiro se constrói a partir de posturas previamente pensadas e analisadas, e não de reações aleatórias baseadas em princípios mais aleatórios ainda; bastante característicos de uma sociedade que despreza a urgência em se aprender a lidar com o dinheiro e seus diversos desdobramentos.

O percentual de jovens (até 25 anos) endividados com cartões de crédito, cheque especial e empréstimos, cresce assustadoramente no Brasil e endossa ainda mais a necessidade de se aprender a lidar com o dinheiro, da mesma maneira que aprendemos as regras de circulação e leis de trânsito, antes de pularmos no volante do carro e sairmos por aí dirigindo como os donos da cidade.

O fato de trabalharmos e ganharmos dinheiro, não implica na automática conclusão de que sabemos como lidar com ele. Os cursos/livros/artigos sobre Educação Financeira estão para todo lado, disponíveis em salas de aula presenciais e virtuais, conforme a disponibilidade e interesse de cada um. (Inclusive, uma excelente maneira de dar início a esta pauta, é lendo este artigo escrito pelo consultor Jessé Diniz, em que você poderá identificar o seu perfil financeiro e intervir para trabalhar melhor os seus ganhos e receitas.)

Se você é casado (a), eu recomendo a leitura de um livro bastante rico e didático neste tema, que se chama “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos”. Eu e meu marido lemos quando ainda namorávamos, e a partir dele extraímos lições valiosas para a vida toda!

Agora, eu não poderia deixar de dividir com vocês alguns princípios que eu pessoalmente uso (não são princípios matemáticos/financeiros, e sim comportamentais) para que o dinheiro esteja a meu serviço,  e não eu a serviço dele.

Em primeiro lugar, é necessário que estabeleçamos controle sobre os nossos atos. Para quem não tem domínio próprio, o dinheiro se configura apenas como mais um dos diversos problemas oriundos da falta de disciplina, e da incapacidade de dizer “não” para si próprio.

Não existe isto de “eu não me controlo”, “é mais forte do que eu”. Estes são discursos fofinhos, socialmente aceitos pela difusão de propagandas/novelas fofinhas, que retratam o comportamento do consumo compulsivo feminino, como algo fofinho e legítimo. #sóquenão

A mulher quando compra, salvas exceções, goza de pleno juízo e sabe exatamente o que está fazendo. Desculpe-me a franqueza e até mesmo a dureza… mas chegar numa roda e se gabar por ter comprado sem poder comprar, por ter dividido de 15x no cartão, e ainda dizer a máxima de que foi “uma pechincha” e um super negócio …. gente, desculpa, mas isto não é bonito e nem motivo de orgulho.

Se você deseja ter um relacionamento diferente com o dinheiro, reprove estes comportamentos e esteja atenta ao segundo princípio que é: não pense, faça. 

Você pode encontrar mil motivos para comprar algo, e pode se convencer de todos eles. Mas se você simplesmente sai de casa com a postura de não comprar nada, você nem se atreve a pensar nestes motivos (por mais plausíveis que possam ser) para comprar determinado produto – que pode ser um par de sapatos da Schutz, um lápis, ou um sorvete.

Seria como assumir a forma de um robô que só sabe fazer aquilo que foi programado pra fazer. Saia de casa programada para não comprar, e volte sem as famosas sacolinhas, caixinhas e bolsinhas.

O terceiro princípio é se convencer pela simplicidade dos comportamentos. Não tem dinheiro, não compre. Ponto. Se tem dinheiro, mas não precisa comprar, não compre. Ponto. Se tem dinheiro e precisa comprar, compre o mais barato (sempre que possível). Se tem dinheiro, precisa comprar e vai comprar o mais barato, pague à vista.

E sempre que possível, evite o ato de comprar e de consumir… E ensine isto aos seus filhos: que sair de casa não significa ter que comprar alguma coisa. E incorpore este princípio como um estilo de vida, como uma convicção, uma certeza de que você já tem muito mais do que realmente precisa, e que passar dias, semanas e meses sem comprar é extremamente possível, natural e normal.

Na maioria dos casos, comprar é hábito/mania e não necessidade. Às vezes, a pessoa recebe um aumento de salário, e antes mesmo de o dinheiro cair na conta, ela já fez compromisso com aquele aumento pelos próximos dois anos. Sendo assim, ela sempre tem uma conta/dívida para pagar, e segue com aquela sensação de o que dinheiro dela não dá pra nada, que ela ganha muito pouco, etc, etc…

Elimine os cartões de loja, elimine as prestações… Elimine a vergonha de usar roupas e sapatos repetidos, de dizer que não poderá ir àquele restaurante, que não poderá renovar o armário inteiro só porque a estação virou… Elimine estas amarras da mente, do ter, do parecer que tem, do status, do apreciar quem tem.

Olhe pra sua casa e comece a se perguntar: pra que 10 xampus diferentes no banheiro? Pra que 5 pentes para o cabelo, se no final das contas, você só usa um? Pra que tanto, se o que a gente precisa é tão pouco? Não podemos esperar algo acabar, ou estragar, avariar, para só então comprarmos outro?

Se quer experimentar, peça uma amostra grátis! Se não tiverem, não se dê ao luxo de comprar só para experimentar… seu dinheiro não é capim. Seu dinheiro é muito suado pra ir embora em coisinhas, em fofurinhas e caprichos! Reserve seu dinheiro para os hobbies, para as viagens, para os sonhos, e não para a escravidão.

Busque o contentamento e se liberte da necessidade de mostrar para os outros que você também tem, ou que também pode ter. Não alimente este monstro devorador que deseja te escravizar, e te ver trabalhando para pagar contas e dívidas, acumulando coisas de que não precisa, se recompensando com o ato de comprar e de consumir…

Seja simples, minimalista… seja livre.

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16 pensamentos sobre “VALORES E PRINCÍPIOS: Na prática, como devo lidar com o dinheiro e evitar o consumismo?

  1. Muito Obrigada!
    Tenho, confesso que estou diminuindo, o hábito de usar demais o cartão de crédito. Mas agora que comecei a trabalhar, diminui e só uso mais pára minha filha de 4 anos_às roupas encolhem muito rápido!!!
    Porém o gastão é meu marido. Mercado em final de semana, vídeo game; é um vício!!!
    Amei às dicas e vou correndo procurar esse bendito livro. Pq tem mês que preciso ajudá-lo apagar às contas dele!!!

    • Ei, Maria! Obrigada pelo seu comentário! =)
      Realmente seria uma boa se vocês dois lessem e aplicassem os conhecimentos do livro juntos! É sempre importante que as finanças da casa sejam cuidadas por um gestor que vá administrar e pensar no futuro financeiro da família…

      Espero que tirem excelente proveito da leitura! Beijo grande e até a próxima!! =*

  2. Nossa eu adorei esse post, pra mim foi o melhor que eu já li aqui! Não que não goste dos outros mas é que estou precisando aprender isto sabe? Muito obrigada, você é mega fofa!

    • Obrigada, Cris! Fiquei muito feliz em saber ❤
      Agora que você disse que sou "mega fofa", meu marido não me chama de outra coisa!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

      Obrigada pelo seu carinho e um beijo grande pra você!! =***

  3. Eu tenho bem esse pensamento e o pessoal me chama de mesquinha. Diz que eu não vou pro caixão com dinheiro e essas coisas. É mole?! Eu só acho desnecessário pagar 200,00 num produto que eu posso pagar 50,00.

    • Ei Lê!! Que bom que apareceu!!! Espero que esteja tudo bem contigo =)

      Eu também sou rotulada como “pão-dura” às vezes, mas eu não ligo! rssss
      O importante é ter controle sobre o dinheiro e não ser controlada por ele, né??

      Beijo pra você e não some mais, viu!! =****

  4. Antes eu era bem consumista, morava com meus pais e não ligava para gastos. Hoje moro sozinha e aprendi a dar mais valor no meu dinheiro, gasto com o que preciso mas sem exagerar e com muita responsabilidade.
    Amei seu post 😀 Como sempre hehe’
    Diana te mandei um e-mail, poderia me responder.? É muito importante pra mim!
    Desde já agradeço e muuuuito sucesso!
    Você é uma querida!
    Grande beijos :*

    • Que gracinha, Natalia! Tá de parabéns mesmo, porque como você disse, enquanto moramos com os pais, a gente sequer sabe o preço das coisas.rssss

      Recebi seu email e já respondi 😉 Beijokas pra você e até breve!! =***

  5. Excelente post. Sua mensagem é direta e alerta quem não valoriza o dinheiro que tem. Nem sempre a solução é ganhar mais dinheiro, mas saber gastar o que tem.

  6. Eu também tenho algumas táticas para driblar o consumisto: estabeleço um limite daquilo que preciso comprar por mês, já que trabalho fora e tenho que me vestir bem. Não passo de 3 peças. Calça jeans, pra mim, dura horrores e procuro inventar vários looks com a mesma peça. Eu mesma faço as unhas, hidratação no cabelo, chapinha e etc e faço também na minha filha. Diana, gosto do seu blog e o acompanho. Você transmite aquela coisa de mulher real, que repete roupa e economiza. Ao passo que em outros blogs (que são escritos com um português SOFRÍVEL!) só se vê ostentação de coisas importadas, maquiagem pesada e muita coisa que não serve pro dia a dia de quem pega ônibus para ir trabalhar (longe da real mulher brasileira). Parabéns SEU BLOG É 10!!!!
    ob: Minha filha copia suas dicas de penteados. Sugestão: dicas de penteados para adolescentes. Grande Beijo. Sou sua fã.

    • Renata, você falou de calça jeans e me lembrou que tenho apena duas (!!!) Sério, não sou muito fã de jeans e não tenho razões pra ter aquele monte de peças que uso uma vez no ano e olhe lá!

      Acredito que temos que nos atentarmos para o nosso gosto pessoal e não ficarmos na ilusão, entupindo o armário de roupas que nem gostamos tanto e que raramente usamos, né? 😉

      Fiquei muito feliz por você ter me identificado como uma mulher real que anda de ônibus!! kkkkkkkkkkkkkkk ADOREIIII!! Porque como você disse: esta é a realidade da maioria das mulheres, não é??

      Um grande beijo pra sua filha, e diga a ela que vou providenciar mais penteados para adolescentes 😉 Bjo grande pra você, querida, e até breve!! =***

  7. Diana, a estratégia que eu uso contra o consumismo é de “minimizar a exposição ao risco”. Quem frequenta centros comerciais ou shopping centers, por exemplo, acaba caindo na tentação de comprar algo que não precisava tanto. Morando onde eu moro, isso acaba sendo meio forçado e foi assim que eu adquiri esta percepção. Não sinto falta do que não vejo. Abraços, Ana.

  8. amei este post, precisava… Preciso aprender a lidar com dinheiro, porque vivo sempre frustada por não poder gastar tudo o quero que na realidade é tudo superfluo.Quando vejo os blogs em que a dona tem um caminhão de maquiagem , fico doida querendo também e realmente lendo seu post acho que vc esta coberta de razão, Obrigada por ser assim,como uma mulher comum.

  9. simples assim : AMEIIIII!!!!!!!!!!!!! aqui em casa eu que cuido das contas já li livros, fui em seminários sobre o assunto e estou aperfeiçoando minha administração a cada dia!!! obrigada por sua atenção!!! bjãooooooooooooooo

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