Assédio sexual no trabalho: algumas sugestões para prevenir e (em alguns casos) remediar.

No auge da minha tenra idade, e praticamente completando 10 anos de mercado de trabalho como empregada e como consultora, digo a vocês que já vi de tudo dentro e fora das empresas. E por mais que de um modo geral, as instituições sustentem com todo zelo e seriedade os seus valores e políticas de conduta; simplesmente algumas pessoas trazem de casa ou da rua seus comportamentos desrespeitosos e, em muitos casos, até chulos.

E infelizmente, nós mulheres somos vítimas de uma cultura nacional que supervaloriza e apela o tempo inteiro para o corpo e para a sexualidade. Quando eu saio de casa, fico à beira de um colapso nervoso quando um homem qualquer na rua me dirige cantadas. QUE COISA MAIS BOÇAL!!! Impossível que um homem não pode ver uma mulher e manter a boca fechada, guardando só pra si suas impressões e sensações!

Maior indignação que esta, é pensar que este comportamento invasivo e constrangedor é retratado nas novelas, propagandas e programas de TV em geral, como um aspecto legítimo da cultura brasileira, motivo de orgulho e  lisongeio para nós, mulheres! Afinal, a culpa não é dos homens, gente!! A culpa é nossa por sermos tão belas e graciosas… Tendeu??

Enfim.rs

Como o ambiente de trabalho é um lugar de reprodução de muitos comportamentos pessoais, estamos o tempo inteiro expostas aos mais variados perigos que podem nos envolver num quadro de assédio sexual. Em poucas palavras, o assédio sexual é este comportamento repetitivo, que constrange e fere a honra e dignidade de uma pessoa. Não vou me aprofundar nos termos legais da coisa, mas vocês podem ler esta cartilha para se informarem melhor http://www.sintfub.org.br/arquivos/publicacoes/Cartilha_AssedioSexual.pdf

E para entrarmos nas sugestões, vamos começar com algumas dicas que previnem e repelem este tipo assediador:

1) CUIDADO COM AS RODAS

Antes de você se envolver com as pessoas, avalie cuidadosamente a pauta e o estilo de conversa que elas introduzem quando estão nas rodas de bate-papo. Se o assunto só gira em torno de sexo, mesmo que em tom de brincadeiras, fuja, corra, suma e não deixe rastros. Se você participa uma vez, além de você comunicar que não se incomoda com o assunto, você abre uma brecha pra ser alvo das piadas e dos comentários, e ver seu nome atrelado a estes termos.

2) SE DÊ AO RESPEITO

Não é minha intenção ofender ninguém e nem adotar um discurso machista, mas não podemos negar que em muitos ambientes, algumas mulheres caem na armadilha do assédio sexual, por suas inúmeras tentativas de auto-afirmação junto ao público masculino da empresa. Vou usar uma linguagem um pouco vulgar para ficar mais claro: algumas mulheres são capazes de tudo para ganharem o troféu de “a mais gostosa” do escritório.

Chegam do fim-de-semana com um relatório detalhado do que fizeram e deixaram de fazer, valorizando a sua máxima atuação sexual com os diferentes homens que “pegou”, etc, etc. Com esta atitude, não espere respeito de ninguém.

3) INTIMIDADE DEMAIS ESTRAGA

Vamos ser realistas: alguns homens simplesmente não sabem lidar com a demasiada simpatia e amizade de uma mulher, principalmente se ela for bonita e atraente. Não converse sobre suas intimidades e evite contatos físicos demais (tipo ficar passando a mão, abraçando, fazendo carícias, etc), sobretudo porque a interpretação que o homem faz de todo este quadro é de que você está pedindo pra ele tomar alguma iniciativa. Da mesma maneira, se você observa que o seu colega de trabalho avança o tempo inteiro e está se achando “o íntimo”, não mande recados e seja muito direta se esquivando claramente das investidas. Se com tudo ele não se tocar, tem que calçar a cara e mandar a real: “Fulano, às vezes você me deixa muito constrangida e desconfortável com esta intimidade toda.” As chances de perder a amizade são enormes, mas….

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Agora, como tentar reverter um quadro que já se iniciou e se agrava cada dia mais?

4) A RECÍPROCA NÃO É VERDADEIRA

Gente, ser mulher tem dessas coisas… Às vezes, estamos quietas e concentradas no trabalho, e um filho de Deus resolve CISMAR com a nossa pessoa. Pior ainda é quando a situação é velada: não há verbalização, mas o sujeito vive te cortejando e lançando aqueles olhares maliciosos. Se você é nova na empresa, pode se tratar de uma breve curiosidade que rapidinho passa… daí você espera um tempo até o público masculino se acostumar com a sua presença (observando todos os pontos acima de não se envolver nas conversas de baixo calão e evitar intimidade demais).

Mas se o quadro persiste, você precisa avaliar o preço que terá que pagar para mexer na ferida. Se te incomoda muito, chegando a afetar seu desempenho profissional e até mesmo o sono durante a noite,  a primeira medida a tomar é esclarecer para o colega de trabalho que a recíproca não é verdadeira. Fazendo isto, você elimina a chance de ele estar acreditando que você está tipo “na dele”.

Daí o roteiro da conversa, você já sabe: voz firme, mas sem grosseria, palavras sérias e sem brecha para dupla-interpretação. “Fulano, tenho admiração por você como profissional e te respeito como um colega de trabalho, e por isso gostaria de tomar a liberdade para conversar sobre um assunto delicado. Vejo que você se interessa por mim, e observo seus olhares e cortejos. Se eu estiver errada, me desculpe… só queria deixar claro que não tenho o mesmo interesse, e pedir desculpas se em algum momento eu fiz parecer diferente. Podemos ser somente amigos?”

5) A CADA CANTADA UM BLOQUEIO

A linha que separa a cantada do elogio não é tênue. É um abismo! A mulher SABE quando está sendo elogiada e quando esta sendo cantada. A resposta ao elogio é sempre um discreto e simpático “obrigado”, acompanhado de um sorriso e, se couber, uma retribuição da gentileza. “Oh, Fulano, obrigada! Gentileza a sua! Você também está muito elegante hoje, parabéns!”

A resposta mais adequada à cantada, na minha opinião, é a completa indiferença: sem expressão no rosto, sem palavras, sem nada. O homem também sabe perceber quando a mulher não foi receptiva à cantada, e, infelizmente, a melhor maneira de reforçar essa idéia é deixá-lo sem graça.

6) MAS EU JÁ FIZ DE TUDO

Já conversei com ele, expus com todas as letras que a recíproca não é verdadeira, vivo tratando-o com indiferença, ignorando e rejeitando cada cantada, cada demonstração de intimidade… Ele persiste, e me persegue!

Este é o momento em que você procura o RH da sua empresa, e solicita a política, estatuto ou declaração de valores onde este tipo de conduta é altamente desencorajado e condenado pela empresa. A partir daí, você expõe o seu problema com muita tranquilidade, dando os nomes e testemunhas que já presenciaram o comportamento do dito colega de trabalho.

Cada empresa tem os seus procedimentos, e é natural que o profissional de RH te peça um tempo para tomar as suas medidas, abordar as pessoas envolvidas e, até mesmo, elaborar um seminário para reforçar estas políticas não só para o assediador, mas para todos os colaboradores da empresa.

Mantenha sempre a discrição, evitando comentar sobre o assunto nos intervalos ou nos corredores. Utilize dos canais formais para registrar suas queixas e siga todas as orientações do RH da empresa. Se ainda assim, você se sentir coagida e pressionada pelo assediador, ou se houver qualquer intimidação física da parte dele te forçando, por exemplo, para um carinho, beijo ou até mesmo relações sexuais; acione a polícia e procure um advogado.

Bjs, meninas! Espero que tenha sido útil esta postagem 😉

P.S. Compartilhe esta matéria com suas amigas e colegas de trabalho =)

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