Eu confesso meninas que tenho tentado acompanhar alguns veículos e canais de comunicação voltados para o universo feminino (que tratem de assuntos como beleza, moda, saúde e etc); com o objetivo primário de me manter informada, e apta a produzir um conteúdo que seja do interesse e da pauta da mulher de hoje.
Mas sinceramente. Tá muito difícil… Não sei se eu é que sou muito quadrada e careta demais, ou se realmente o que tenho visto é uma resiliência generalizada que tem levado as pessoas (mulheres principalmente) a classificarem certas temáticas como relevantes à sua “existência”, por assim dizer.
Muitos assuntos categorizados como “assuntos de mulher”, podem ser a causa pela qual a mulher se olha no espelho e se odeia tanta. Porque estes canais não só produzem matérias que despertam sensações e desconfortos nas mulheres, como também se encarregam de produzir outras tantas matérias que só alimentam e endossam ainda mais este desconforto que eles mesmos criaram! “Cinco dicas para afinar a cintura!” “Saiba como ter os braços iguais ao da Michelle Obama!”
Por que isto é assunto de mulher?? Fácil: Por que muitas mulheres se ocupam de aprender como ser diferente do que são. Muitas mulheres passam uma VIDA tentando ser o que não são, buscando o corpo que não tem, a personalidade e a natureza que não tem! Por isso eu disse anteriormente que certos assuntos são a causa pela qual a mulher se olha no espelho e se odeia tanto. Porque o senso comum (que hoje em dia se “personifica” na “mídia”) diz que braço bonito é o da Michelle Obama. E quando a mulher chega a esta constatação de que o braço dela não é igual ao da Michelle Obama, ela imediatamente se transforma na audiência perfeita para a próxima matéria “Saiba como ter os braços iguais ao da Michelle Obama!”
Muitos canais voltados pra mulher (salvas raras exceções) tem superlativizado o “ser mulher”. “Não tenha defeitos, seja perfeita, seja linda, enlouqueça o homem na cama, tenha cabelo sem frizz, seja dominadora, dê uma banana para os homens, mostre-se superior ao sexo masculino…” Como se pra tudo já existisse uma receita pronta que se aplica a tudo e a todas as mulheres deste planeta!
Este tipo de conteúdo pode num primeiro momento soar como um aliado para desenvolver sua auto-estima, o amor próprio, o self-confidence… mas a verdade é que o efeito dele é semelhante a de um ácido corrosivo para as mulheres que já carregam um vazio preexistente: quanto mais elas se alimentam destas promessas, maior vai ficando o diâmetro do buraco. São os paliativos que te conferem sensações fugazes de prazer, sem resultados sustentáveis.
É só lavar o rosto, apagar a luz e fechar as cortinas: a mulher volta a ser ela mesma, quem ela é na vida real. No outro dia, o desconforto e o vazio ainda estão lá… Ah, mas não tem problema: tá na hora de tomar a dose diária de conteúdos “fantasia” pra o vazio e desconforto sumirem por pelo menos mais 24h.
E desde quando motivar a mulher a ter o que não tem, e ser quem não é, passou a ser chamado de “auto-estima”?? Auto-estima é a valorização de SI. E não a supervalorização dos outros, do que os outros tem e são. E pra eu me sentir bem eu tenho que dominar e subjulgar o sexo oposto? Então, auto-estima se define não pela valorização do que eu sou, e sim pela maneira como eu me sinto melhor e maior cada vez que diminuo e ridicularizo o outro? Isso explica então o porquê de a grosseria, hostilidade e soberba estar crescendo tão assustadoramente em meio ao público feminino.
Temos que desaprender isto, urgente!! Reprogramar a mente e voltarmos à simplicidade, ao amor próprio… este fardo é muito pesado pra ser carregado diariamente!
Sejamos muito perspicazes, porque estes discursos entram em nossas vidas muito discretamente, e quando nos damos conta, estamos vivendo segundo este duro julgo da mídia.
#ficaadica










































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